Calculadora · a verdade sobre o aumento
Aumento salarial: quanto fica no bolso?
O chefe promete +5%. O Estado leva a parte dele primeiro. Vê quanto do teu aumento chega mesmo à conta.
Como funciona
Calculamos o teu líquido antes e depois com as tabelas oficiais de 2026 e mostramos a diferença. O acréscimo de bruto é tributado à taxa marginal do teu escalão, por isso a percentagem que "fica" encolhe à medida que o salário sobe: é a progressividade a funcionar, não é o patrão a enganar-te. Boa munição para negociares em valores líquidos.
Continente, retenção mensal 2026; o acerto final acontece no IRS anual.
Exemplo prático: o aumento de 5% que rende 74%
O patrão da Sofia oferece-lhe um aumento de 5% sobre o salário bruto de 1 200 €, ou seja, mais 60 € brutos por mês. Boa notícia, mas a Sofia não vai receber mais 60 € líquidos. Esse acréscimo é tributado à sua taxa marginal (a mais alta que lhe toca) e sujeito à Segurança Social, pelo que chegam à conta cerca de 44 €. Por outras palavras, dos 60 € de aumento, a Sofia fica com aproximadamente 74%. Ao longo do ano, contando os subsídios, o aumento vale-lhe perto de 620 € líquidos. Continua a ser bom, mas é importante saber negociar com estes números reais em mente.
Quanto mais alto o salário, menor a percentagem do aumento que fica no bolso, porque se sobe de escalão. Este é o argumento matemático a favor de negociar aumentos em valores líquidos e de valorizar benefícios com vantagens fiscais.
Aumentar de escalão não te deixa mais pobre
Existe um mito persistente: o de que um aumento pode fazer-te receber menos por 'saltar de escalão'. É falso. O sistema português é de taxas marginais, o que significa que só a fatia do rendimento acima do limite do escalão é tributada à taxa mais alta, nunca o salário todo. Um aumento dá sempre mais líquido; apenas rende uma percentagem menor à medida que subes. Podes ficar descansado a aceitar aumentos.
Negociar para lá do salário base
Se a margem para aumentar o bruto é pequena, há alternativas que podem valer tanto ou mais: seguro de saúde, cartão-refeição (com vantagem fiscal), formação paga, dias de férias extra, flexibilidade ou trabalho remoto. Alguns destes benefícios não sofrem a mesma carga fiscal de um aumento de salário, pelo que rendem mais, tanto para ti como para a empresa. Vale a pena levar estas opções para a mesa.
Perguntas frequentes
Porque é que um aumento de 60 € não dá 60 € líquidos?
Porque o acréscimo é tributado à tua taxa marginal, a mais alta que te toca. Parte do aumento vai para IRS e Segurança Social; esta página mostra exatamente quanto sobra.
Um aumento pode fazer-me perder dinheiro?
Não. Com o modelo de taxas marginais em vigor desde 2023, mais bruto dá sempre mais líquido. O que pode acontecer é o aumento render menos do que esperavas.
E o impacto anual?
Multiplicamos por 14, porque o aumento reflete-se também nos subsídios de férias e de Natal.
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